Um dos principais atrativos de viagem do Japão, com toda certeza, está em sua gastronomia. Segundo o Guia Michelin, importante parâmetro de avaliação de qualidade de hotéis e restaurantes do mundo, publicado desde 1900, o Japão ocupa a segunda posição no ranking de países com mais restaurantes renomados na lista. Tóquio, por sua vez, é a cidade com a maior concentração de estabelecimentos com estrelas no guia.
No entanto, não é preciso fazer refeições nesses restaurantes estrelados para se comer bem no Japão. A cozinha tradicional, conhecida como washoku, foi incluída na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO e pode ser apreciada por todo país.
A base da culinária prima pelo equilíbrio e pela busca de realçar o sabor natural dos ingredientes. Em sua composição mais habitual, a refeição é composta por uma tigela de arroz cozido no vapor, sopa e diversos acompanhamentos.
Vamos conhecer um pouco sobre o teishoku, refeição completa, equilibrada e cotidiana na rotina dos japoneses. O gohan (arroz cozido) tem um papel central e recebe como complementos fontes de proteína, como carnes e peixes, e de fibras, como legumes, verduras e tsukemono (conservas japonesas).
Carnes: peixe, frango, carne bovina e suína
Os peixes podem ser encontrados como sashimi, versão fatiada e crua, grelhados, em ensopados. Também são encontradas versões “processadas” em que uma base de massa de peixe cozida se transforma em diferentes alimentos como kamaboko e tikuwa (derivados do peixe branco) ou o kani kama (com essência de caranguejo).
Embora os peixes e frutos do mar sejam abundantes nas refeições japonesas devido ao fato do Japão ser um arquipélago, engana-se quem pensa que não há pratos variados que incluem carnes.
Há tipos de carne bovina muito buscados por turistas, como o wagyu, que é bastante valorizado pela maciez e sabor e seu corte o Kobe beef, figurando entre os cortes mais nobres e caros. No entanto, pratos com carne bovina mais acessíveis são facilmente encontrados por todo país, como gyudon (tigela de arroz coberta com fatias finas de carne bovina e cebola cozidas em um molho agridoce), sukiyaki (ensopado agridoce preparado à mesa em uma panela com finas fatias de carne, legumes, tofu e macarrão) ou yakiniku (tipo de churrasco japonês em que pedaços de carne são grelhados em uma chapa).
Um dos pratos mais famosos da culinária japonesa é feito à base de carne de porco, o tonkatsu, em que a costeleta ou o lombo é empanado na farinha de rosca e frito, acompanhado de molho especial, repolho fatiado e arroz. Outras opções populares aparecem também em pratos do dia a dia, como: shogayaki (fatias finas de carne de porco grelhadas e caramelizadas), nikujaga (ensopado tradicional de carne de porco fatiada finamente, batatas, cebolas e legumes, cozido em um caldo agridoce à base de soja) e no recheio do guioza (pastel japonês).
A carne de frango é amplamente encontrada pelo país em diversos pratos, sendo uma das alternativas para quem não aprecia peixe e frutos do mar. São centenas de variedades de pratos populares com frango, sendo encontrado frito em versão empanada como o karaage; ou temperado em espetinho conhecido como Yakitori; ou numa tigela de oyakodon, na qual é servido cozido com ovo em cima de arroz quente e molho à base dashi, shoyu e mirin.
Verduras, legumes e conservas
A culinária japonesa valoriza profundamente a sazonalidade dos ingredientes que utiliza. Por isso, a presença de certos legumes e vegetais podem variar dependendo da época da sua viagem, ou serem encontrados em maior abundância em uma região e nem tanto em outra. Essas particularidades proporcionam experiências gastronômicas únicas em cada período do ano que o viajante vai ao país
Fato é que há uma variedade de alimentos de origem vegetal começando pelo arroz cozido, considerado o principal, ou a sopa de missô, que acompanha a grande maioria das refeições.
Da soja ainda se extrai outros ingredientes especiais da culinária japonesa e que estão presentes em muitas preparações: molho shoyu, o tofu, um tipo de "queijo de soja", e a pasta fermentada, missô. As verduras e legumes, quando não aparecem como saladas, entram em forma de deliciosas conservas, chamadas de tsukemono.
Além de conferirem um apelo estético na apresentação por conta da diversidade de cores, as conservas também ajudam a limpar o paladar. Algumas são bastante populares, como: sunomono, com pepino japonês e vinagre; asazuke (vegetais levemente em conserva, como repolho chinês); takuan (rabanete daikon em conserva fermentado com farelo de arroz e sal) e shibazuke (conserva tradicional ao estilo de Quioto feita com pepino, berinjela e folhas de shiso vermelho).
Viajar ao Japão é uma possibilidade de mergulhar num universo de sabores, texturas e aromas, assim como se deixar levar pelo umami presente nas mais diferentes combinações de ingredientes. Entender como os alimentos são preparados e apresentados, permite maior liberdade de escolher o que se deseja comer, assim como saber onde procurar alternativas quando há vontade de experimentar algo específico e poder aproveitar ao máximo a riqueza gastronômica singular que uma viagem ao Japão pode oferecer.
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